domingo, 29 de novembro de 2015

Nos sentimos no dever de esclarecer

Há muitos anos uso coeficientes realmente na gestão hoteleira 07 na aviação são menos, mas mais complexos, num frigorifico são mais, num grande ressorte eles também são mais que uma dúzia, mas nenhum deles leva a nada a não ser que você saiba o que está fazendo.

Na hotelaria um dos mais importantes é a diária média, hoje usam muito RevPAR mas só os que não sabem realmente o que estão fazendo já que é um indicativo para investidor e não para gestor, e se fosse de gestor, seria de um gestor hospedeiro (de hospedaria) e nunca hoteleiro, mas assim mesmo ele precisa ser atrelado a uma série de outros dados. Diária média um destes dias recebi uma mensagem em que me perguntavam como determinar a média numa série de valores de DM. Não aguento – Use o Excel, ele faz isso para você – mas o que eu disse à pessoa que estava com a dúvida foi que isso é irrelevante, claro que por aqui há uma pergunta muito comum, como assim? Explico.
Diária Média
 R$   121,32
 R$   156,78
 R$   193,25
 R$   222,54
 R$   303,65

Temos meia dúzia de fatores 5 (cinco) valores diferentes de diária média, qual delas é a melhor. Você está lendo e diz – a última – e eu digo a segunda.

Diária Média
 R$   121,32
 R$   156,78
 R$   193,25
 R$   222,54
 R$   303,65
Custo p/ DM
 R$     98,76
 R$   101,12
 R$   176,32
 R$   193,23
 R$   289,23

22,84%
55,04%
9,60%
15,17%
4,99%

É fácil entender que a melhor diária média é a do segundo item, afinal nenhum outro exemplo tem um GOP de 55,04% ou R$: - 55,66 por apartamento. Qual é a segunda melhor DM? – 222,54.

Acredito que tenham entendido porque nenhum desses números isolados tem grande serventia a menos que estejam na mão de alguém que saiba um pouco mais do que ler números que não levam a nada.

Talvez assim seja mais fácil entender porque o tal do “Revenue Manager” cargo da moda começa a ser uma coleção de demissionários, porque na verdade não se gerencia receita sem se conhecer os custos e quando isso acontece alguém que está com os custos na mão demite quem aumentou a receita, mas conseguiu subir mais o custo que a receita e isso é o que mais tem no mercado, cursos que são sem ser e com orientações completamente destorcidas.

Tem uma profissional que fez nosso curso e não estava tão completo como hoje que contratam como “Revenue Manager” ela sabe que o cargo não existe, mas é uma grande profissional, quando conversei com ela uns minutos depois do curso disse-lhe, “acorda você tem muito mais competência do que aquela que te atribuem” – Esta Senhora não aceita o Cargo de Revenue Manager se não lhe derem acesso aos custos, e pasmem hoje ela é responsável não sei se por seis ou por sete hotéis, só que é competente e sabe exatamente para onde está indo e que “BAR” é um valor que no caso dela pode se alguém quiser ser mudado 2000 vezes por dia sempre rentabilizando.


Entendam primeiro como tudo funciona para depois falarem de índices, e números isolados normalmente dizem pouco ou nada isso quando estão certos. Porque o sujeito que compra por 100 e vende por 120 para ganhar 20 % e ainda tem que pagar os 3% de ISS realmente é matematicamente analfabeto pois para ganhar 20% teria que vender por: R$: 128,8659 Sucesso.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Que pena quando o comercial destrói o Hotel

Pagar o pessoal de vendas comissão sobre o volume, sem levar em conta a lucratividade das transações.
entra em conflito direto com metas de lucratividade da empresa.
Conversava com uma competente profissional quando escuto a frase que dá o título há matéria, e claro ela passou imediatamente a me inspirar, porque será que em um Hotel onde eu ou alguns dos profissionais que eu conheço e ainda há no mercado  não permitiria que isso acontecesse?

O comercial hoje praticamente não existe, conheço meia dúzia de gerentes comerciais de fato, mas meia dúzia mesmo. Conheço também redes onde o investimento em comercial é um verdadeiro absurdo e se eles simplesmente o suprimissem nada aconteceria, e descobririam o quanto são obsoletos ou talvez até melhorassem, isso sem esforço só pela economia, por outro lado temos uma geração de curiosos achando que comercial é alimentar OTAs e outros instrumentos modernos caros e que tornam os “hoteleiros” escravos de um sistema unido para explorá-los o que não me espanta, o que me espanta é a inatividade destes em torno disso e pior eles pagam para ajudar os portais eletrônicos a explorar o próprio cliente que é ou deveria ser a sua razão de existir.

Isso é problema do comercial? Não, não é – o comercial de 95% dos hotéis Brasileiros e aqui entram até redes não faz o mínimo que deveria, responder a correspondência nem mesmo a cotações, e isso eu sei por experiência própria. Na ABAV conversando com agentes de viagem eles se queixavam do mesmo, a lentidão com que eventualmente são respondidos os faz tirar hotéis das listas de destino. E ainda assim continua não sendo problema do comercial, a falta de profissionalismo é o problema, mas ela trás atrelados.

O problema vem de cima, empresários que constroem hotéis e não têm a mínima noção do que isso seja logo contratam gerentes que trabalham por salários de fome e só fazem isso não porque o mercado esteja difícil, mas porque não têm noção do desempenho de suas funções, estes por sua vez deixam o comercial e outras gerências por conta de um tal de RH que 99% dos casos não entende nada de hotelaria, muito menos de suas rotinas, o que não faz diferença já que o Gerente também não sabe, ou pelo menos a maioria deles não sabe. Mas se fossemos detalhar cada um destes problemas não teríamos uma postagem e sim um livro com cerca de mil paginas sem exagero.

Some-se a isso a incompetência do comercial versus o desconhecimento do contratante e do pseudo GG. “Sou gerente comercial tenho uma grande carteira de clientes meu salário são 20 mil por mês e despesas de representação”. Estas figuras chegam a apresentar notas de refeição de dois mil reais. Detalhando, o Gerente comercial querer os 20 mil já pressupõe mediocridade, o empresário pagar e seja lá para quem for na área comercial brada aos céus. Senão vejamos – o Comercial precisa trazer resultados que serão traduzidos em LUCRO, se é tão bom assim dê-se à “estrelinha” a possibilidade de ganhar R$: 400.000,00 por ano, mas que isso seja fruto de sua competência quero com isto dizer que falando de Gerencia o salário não passe de R$: 2.000,00 e de Diretor no Máximo 5.000,00, mas claro tanto um como o outro não devem ter limitação de ganhos fazendo-se isso com comissões, e não pelo faturamento geral bruto do empreendimento ou rede e sim sobre os resultados que estes eventualmente comessem a gerar e no caso de rede cada unidade é uma unidade e precisa haver uma planilha onde os resultados são mensurados, não me venham com a história: “mas isso é impossível” não, não é impossível só que precisa CONHECIMENTO.

Senão tenho que admitir que a única coisa em que eles são bons é de papo, eu diria “papo furado”. Um Gerente assim como um diretor comercial precisa não só saber o que quer como fazer com que isso aconteça se for pago antecipadamente com altos salários fixos porque trabalharia? Então há um sistema errado. Porque um grupo com um departamento comercial estupidamente inchado deve pagar ao Gerente ou ao Diretor comercial comissões sobre hotéis onde o resultado não dependeu em nada de seu departamento? Ou mesmo por unidades deficitárias?

Porque o comercial derruba o hotel, e isso está acontecendo hoje no Brasil em mercados muito bons. Simples porque o Hotel não tem um Gerente Geral, se tivesse o comercial não o derrubaria, estaria tendo a devida atenção e cobrança feita por um profissional capacitado, e quando me refiro a Gerente Geral me refiro a um profundo conhecedor em Hotelaria e todos os seus métodos e sistemas e não apenas a um título pomposo no cartão de visitas, hoje comum.

Um grande profissional amigo nosso foi chamado um destes dias para uma entrevista em uma rede pequena, mas uma rede, eles queriam um Diretor comercial, o profissional passou a dominar a entrevista, pois queria primeiro que tudo saber por que a rede queria o Diretor comercial, depois de ouvir a explicação do entrevistador (que claramente não tinha a menor noção do que precisava) disse: “Bem o que vocês precisam não é de um diretor comercial, pois o que tem que ser feito não é da competência deste há necessidade de decisões e implementação de procedimentos que não são da alçada de um diretor comercial, então os senhores neste momento precisam de um Diretor de Operações”. Os empresários em sua grande maioria não tem conhecimento para isso então vão por achismo até fechar ou passar um bom negócio para as mãos de quem o saiba gerir e perceber tarde demais que jogou muito dinheiro fora porque precisava economizar. “economia de araque”.

Como na maior parte dos casos no País, eles ficaram pensando sobre o porquê assim teria que ser, pensar sobre algo que se conhece muito pouco ou que acha que conhece é cómico não fosse trágico. E continuaram em sua luta pelo comercial ou não, como a decisão (ou indecisão) demorou muito tempo, não precisam mais – afinal nesta crise a gente fecha depois vê o que faz o caminho da incompetência quando o caixa não pode banca-la. Por outro lado temos grandes e Veneráveis grupos hoteleiros que desde que a “crise” foi anunciada aumentaram sua capacidade em mais de 2000 UHs. E continuam crescendo. Crise ou falta de profissionalismo. Acreditem há lugar ao sol para todos, Qualifiquem-se.

Em suma não há Gestões ou Gestores competentes então toda a linha descendente segue o mesmo processo, ou seja, as coisas ficam cada vez mais difíceis e o resultado é o abandono do mercado, o bom destes momentos é que só ficam os bons, o resto para de atrapalhar. CAPACITEM-SE, coloquem o profissional certo no lugar certo, principalmente criem-se formas de compensar a competência a seleção torna-se natural, isto nos trás para um grande e comprovado sistema de gestão, a meritocracia, mas consultem em vez de meterem os pés pelas mãos.

Dando uma passadinha por outra área, não compre a cozinha sem saber qual vai ser o seu cardápio estará fadado ao fracasso. Viram como pode gerar um livro de mil paginas, as nossas duas publicações sobre A & B têm mais de seiscentas.


Falando de publicações, ainda este ano vamos colocar no mercado mais uma publicação sobre o Revenue Management, a ciência que coloca o foco das empresas no aumento de receita, e não no corte de custos ou como muitos gostam de chamar o downsizing.  O Revenue Management leva ao aumento dos resultados financeiros através de melhorias de alto padrão. Só para termos uma ideia, Bill Marriott Jr. O primeiro hoteleiro a investir nesta prática no ano de sua consolidação aumentou o faturamento em US$ 100 milhões, (cem milhões de dólares), e isso há cerca de 40 anos. Outras ações fazem parte da história da ciência econômica e gerencial que é o Revenue Management, vamos trazer exemplos desta implementação em outros tipos de empresa.